Intolerância em Porto Alegre

Normalmente eu não abordo notícias, ou acontecimentos do momento aqui no blog. Mas devido a ocorrência deste fato lamentável e de grande repercussão, achei uma boa tratar deste assunto. Muitos me perguntam o que significa o nome do blog e em um futuro post posso me aprofundar na história, mas escolhi esse nome pois trata do que está no imaginário (fantasiako em grego) das pessoas. Acho que não tem como não falar disso hoje. Meu Facebook está cheio de links e comentários sobre isto. Bem vamos ao fato e minhas considerações: Dia 25 de fevereiro de 2011 na esquina das ruas José do Patrocínio e Luiz Afonso, em Porto Alegre mais de 100 ciclistas participavam do evento promovido pelo movimento Massa Crítica quando um carro entrou no meio do comboio derrubando dezenas de participantes. Esse é o fato.

Várias versões do que motivou tal agressão já apareceram em diversos sites de notícias e blogs. O próprio grupo Massa Crítica publicou algumas versões no seu site (leia aqui). Mas ao meu ver mais uma vez se manifestou a lei do mais forte, comum na selva entre os animais selvagens. O maior come o menor, o mais forte sobrevive…mas em uma sociedade civilizada, composta por seres humanos existem leis que impedem que a lei da selva vigore. Obviamente o motorista não achou isso. Por mais que manifestações desse tipo sejam irritantes(eu mesmo já vi muitas e não gostei), por mais que elas atrapalhem seu itinerário ou te atrasem, elas são um direito do cidadão. Podiam ser evangélicos, torcedores de futebol, ou qualquer outro grupo de pessoas. As pessoas tem o direito de não gostar e achar uma palhaçada a manifestação de qualquer grupo, mas devemos respeitar principalmente os seres humanos envolvidos. Este motorista(psicopata, na minha opinião) desrespeitou a vida humana. Se alguma lei estivesse sendo infringida ali naquele momento seriam os órgãos legais que deveriam definir isso. Não fazemos justiça com as próprias mãos no mundo civilizado. Eu sou contra os automóveis, pois acho que são armas prontas para matar ou bombas prestes a explodir. É uma paranóia minha, mas acho que no fim os automóveis trouxeram inúmeros benefícios para a humanidade, mas também muito prejuízo. Além da óbvia poluição, os acidentes que matam mais do que muitas doenças juntas, são o ônus por termos nossos carros do ano a circular pelas ruas e estradas. Como um colega de trabalho me disse quando fomos cortados no transito por um motorista apressado: o idiota fica 100% mais idiota quando está de carro. Na nossa sociedade os carros viraram sinônimo de status e para serem exibidos dessa forma precisam demonstrar velocidade, potência e poder de destruição.

O que preocupa agora é a punição que tal crime terá, pois no Brasil ocorrências de trânsito dificilmente são caracterizadas como crime e sim, apenas como infração. A pena é bem mais leve. Na minha opinião (sem embasamento jurídico) é que o motorista teve intenção de agredir os ciclistas e essa agressão poderia levar à morte de alguns, então pode se dizer que foi tentativa de homicídio doloso (com intenção de matar) mas provavelmente graças ao trabalho de um bom advogado será transformado em tentativa de homicídio culposo (sem intenção) ou talvez vire uma infração de transito. O criminoso paga algumas cestas básicas e mês que vem acontece de novo, pois não houve punição exemplar. Se é que vai haver.

Mais um capítulo revoltante da história desse país que ainda não é gente grande. Brasil e brasileiros, quando vocês aprenderaão a dizer por favor, com licença e obrigado? Quando vão copiar os bons exemplos da Europa ou dos EUA. Estou envergonhado que isto tenha acontecido no Brasil e mais precisamente na minha cidade. É triste.

 

Remakes e homenagens ou falta de criatividade

Saudosismo, nostalgia, reverência ou falta de idéias melhores? Não sei o motivo, mas a onda de refilmagens que assola o cinema hollywoodiano ultimamente nunca foi vista antes. Senão vejamos: Os Caça-Fantasmas, Máquina Mortífera, Os Doze Condenados, A Hora do Espanto, A História Sem Fim. Fora os que já foram feitos como Fúria de Titãs, A Pantera Cor-de-Rosa, A Hora do Pesadelo, Tron, O Destino de Poseidon(tá ,esse já faz tempo). E os que receberam seqüencias quando se achava que os atores principais já estavam velhos demais: Indiana Jones, Rambo, Duro de Matar. Sem falar em versões cinematográficas das series de TV que nos faziam companhia à tarde: Esquadrão Classe A, Agente 86, Elo Perdido…

A lista é grande e meu objetivo não é nomear todos, mas já deu para ter uma idéia de como usar os mesmos personagens e as mesmas historias é lugar comum no cinema pop norte-americano. Mas o que eu quero comentar são os efeitos e as impressões que esta “jogada” de Hollywood me causa.

Primeiro: A maioria desses filmes é do fim dos anos 70 até o fim dos 80. Quem era criança ou adolescente nesta época(como eu), hoje está na casa dos 30 ou 40 anos de idade. Aqueles jovens que ficaram impressionados com as viagens de Marty Mcfly, as aventuras de Indy ou as matanças de John Rambo, hoje cultuam estes filmes. Estes jovens inocentes viam Fúria de Titãs e achavam o máximo ( recentemente revi o original e como filme nem é grande coisa, mas os efeitos especiais impressionam pela época que foram feitos). Nos dias atuais esse público é o maior consumidor de sabonete, pão, carros e…filmes. Sim, essa faixa etária corresponde a maior parte da população economicamente ativa no mundo. Então nada mais justo que uma indústria cinematográfica, mais preocupada com a lucratividade, foque seus esforços em fazer produtos para a maioria. Sim galera, somos a maioria( pelo menos nesse aspecto) e sim, gostamos de filmes que vimos quando nossa vida era mais fácil e talvez por isso ver Harrison Ford de chapéu de novo seja tão familiar e reconfortante.

Segundo: Os jovens de hoje se importam com estes clássicos? Bem, esse dias li no jornal que quando o ator Paul Newman morreu perguntaram para alguns jovens o que eles achavam e eles responderam: -“que Paul Newman, o das saladas?”( o ator tinha uma marca de saldas para reforçar a aposentadoria). Outro exemplo, conversando com um colega de trabalho que tem 19 anos não sabia que Fúria de Titãs(2010) era uma refilmagem!?!?!?!

Ou seja, os jovens não vão ver esses filmes pois tem a referência dos antigos e sim porque os efeitos visuais e as campanhas de divulgação são atrativas. Assim como o público de 30/40 vai porque querem ver seus velhos heróis com um acabamento visual mais apurado. No fim tudo se resume à imagem, os efeitos especiais e visuais são usados como “muleta” para roteiros ruins. E esses artifícios acabam conquistando todas as gerações? Parece que sim, vivemos uma era da imagem, da informação rápida e no fim o que não fica é o que mais nos agrada. Não queremos reter muita informação por muito tempo, o ideal é ver um filme e assim que saimos do cinema, já esquecemos metade, até chegar em casa esquecemos tudo(aconteceu comigo quando fui ver Wolverine Origens no cinema). Mas porque isso? Bem são muitos lançamentos, nossa atenção não pode ficar muito tempo em uma coisa só. Temos que abrir espaço na mente para novos desejos de consumo. E assim como os adolescentes e crianças já estão doutrinados nesse sentido, só falta os trintões que são a maioria da massa consumidora. Pensem nisso enquanto aguardamos o próximo remake.

Homem de ferro 2: além do filme

Esse post feito as pressas não é bem uma resenha sobre o filme. É algo mais. É sobre tudo que cerca o filme(ou os filmes em geral). Explico. O personagem Homem de Ferro é o alter ego do industrial, inventor e cientista Anthony Stark. Isso claro no mundo ficcional dos quadrinhos. Pois bem, esse personagem ficou mais conhecido do grande público graças ao primeiro filme do Homem de ferro, que contou a origem do personagem e  o apresentou para os menos aficcionados por HQ. Então pode se dizer que ele não é mais um desconhecido. Creio que quando se fala em Homem Aranha, Batman ou Superman, pessoas dos mais longínquos rincões saberão de quem se trata. Já com o Hemem de Ferro creio que está começando a acontecer o mesmo. Mas tudo isso foi para contextualizar o tema principal. O trabalho da publicidade aliada ao lançamento de um grande filme. Por exemplo em Homem de Ferro 2: o personagem Tony Stark idealizou uma feira de tecnologia a Star Expo 2010, com direito a site e tudo. Além disso pode se ver no youtube propagandas dos produtos lançados na feira. Tudo fictício é claro, assim como o filme. Mas esse grau de interação entre o filme e a publicidade me chamam a atenção. Foi uma sacada genial. Ajuda a trazer mais verossimilhança a algo que logicamente sabemos se tratar de ficção. Mas com toda essa estratégia de comunicação fica mais crível um homem vestido de armadura cibernética enfrentando supervilões. Acho sensacional quando se extrapola uma mídia específica para ajudar a apresentar algo. Primeiro o personagem salta dos quadrinhos para desenhos animados, depois para filmes, e do filme geram subprodutos.  Isso dá uma nova vida a algo que já é bem corriqueiro: lançamento de novos filmes. Claro que em se tratando de hollywood fica mais fácil realizar todo essa campanha. Mas mesmo em filmes brazucas como Tropa de Elite 2 esse recurso de link com outras mídias também é utilizado.

Acho que o futuro da comunicação(acho que já é presente, se chama viral) e principalmente do entretenimento, passa por uma plataforma multipla de mídias que possam ampliar o conteúdo e quem sabe também dialogar mais diretamente com o produto principal. No caso dos filmes isso ainda requer tempo e disponibilidade dos meios estarem acessíveis para todos. Não teria como associar uma frase de um filme com um vídeo previamente postado no youtube, pois muitos poderiam não ter visto o vídeo e não entender no contexto do filme. Mas de forma bem sutil esse recurso já pode ser usado e está sendo bem utilizado. Acho inovador, divertido e aponta novos rumos que logo se tornarão tendências.

Para saber mais procure vídeos relacionados a Homem de Ferro 2, provavelmente vocês acharão uma propaganda de uns óculos hightech que qualquer um gostaria de ter. Tá vou ser bonzinho e postar o vídeo aqui.

Legal né, faz a gente querer que existisse uma Stark Enterprises na nossa sociedade ou não?

Atualização

Vi hoje em outro blog um viral muito bem elaborado do novo filme de J.J.Abrams. Para quem não sabe Abrams criou Lost e Fringe, que são séries recheadas de mistérios e dicas para os fãs se fartarem nas especulações e deduções. Vale a pena conferir. Como sou fã do Abrams e dos virais já fui fiscado. Confiram aqui.

Comentários são sempre bem vindos. Até o próximo.

Avatar II

Não podia deixar passar a oportunidade de mostrar a vocês esse vídeo. Um tal de Hungry Beast postou no Youtube uma versão de Avatar muito peculiar. Não sei quem fez, mas caprichou. Ele aproveitou o hype que Avatar gerou e fez esse vídeo que até agora teve 336900 exibições e foi postado em 4 de março. Dá mais de 16 mil visualizações por dia! Gerou um belo buzz, afinal fiquei sabendo do vídeo graças a minha namorada que mandou o link e ela provavelmente recebeu o link de alguém. Se esse Hungry Beast trabalha na área audiovisual com certeza promoveu muito bem seu trabalho.

O vídeo mostra Pandora 10 anos depois do final do primeiro filme. No começo parece tudo normal, mas quando o Darth Vader aparece em cena, aí se ve que é galinhagem. Eu reconheci pelo menos 10 referências à outros filmes. Muito bem editado e até os Navi são relativamente convincentes. Não sei se isso não foi alguma jogada de “marketing”(termo que se usa muito, mas não é correto, mas outra hora falamos disso) para autopromoçâo. Seja como for esse vídeo é a própria pós-modernidade em ação. Referências dentro de referências, uma colagem de ícones facilmente reconhecivéis. Ele usa uma linguagem de trailer para unir ao redor de uma idéia(a da parte dois de Avatar) vários outros momentos clássicos do cinema de entretenimento, assim criando um resultado facilmente identificável e ao mesmo tempo inovador. Isto é muito do conceito de pós-moderno. Ali nada se criou, mas se reciclou, se reaproveitou, mas de uma forma que o conteúdo de onde as referências foram tiradas entraram em outro contexto e formaram um novo elemento: a versão cômica de Avatar que podemos ver aqui embaixo.

Talvez esse meu post tenho ficado meio profundo de mais no fim, quando na verdade era para ser cômico. Isso que dá estudar semiótica pós-estruturalista francesa contemporânea(uia).  Mas o objetivo era demonstrar que este vídeo diz muito do que vivemos hoje. Heitor Carlos Panzenhagen Júnior explora bem isto neste artigo, onde em certo momento afirma que o moderno e o pós-moderno exploram o capital cultural de outrora. O pós-moderno se apropria de uma bagagem cultural que já está presente no imaginário e por isso é uma referência de fácil assimilação. É o caso de usar personagens de outros filmes para contar uma nova história.

Fredric Jameson cita que o uso da cor no cinema, em oposição ao antigo formato em preto e branco, é um sinal do fim do realismo e do moderno. Quem dirá então um filme como Avatar que foi quase todo feito em CGI(imagem gerada por computados na sigla em inglês)? E o autor norte-americano ainda diz que o ver(cinema, ou qualquer outra coisa) e ver em excesso é típico do ser contemporâneo e que no cinema “o espectador simplesmente explora e canibaliza a obra de arte criada exatamente para esse propósito com uma apropriação aleatória”. Não foi isso que vimos nesse vídeo? Um cara que viu filmes demais e usou tuda essa bagagem cultural para criar uma narrativa onde o simples fato de reconhecermos algumas partes, ajuda a criar uma nova história.