Fã trailer – The Dark Knight Rises

Para quem não sabe, sou um grande fã do personagem de HQs, criado em 1939 por Bob Kane. Sim o Batman da DC Comics. Com as filmagens já rolando e o próximo filme da trilogia de Christopher Nolan engatilhado, surgem imagens e vídeos relacionados a todo momento. Eu, como bom fã resolvi entrar nessa. Então eu copiei na cara dura pedi para usar o único trailer oficial que saiu até agora e juntei com imagens de pessoas que acompanharam as gravações externas em Pittsburgh e New York e montei esse vídeo que vocês podem assistir abaixo. Vejam logo antes que a Warner delete peça gentilmente para ser retirado do youtube.

Como as cenas postadas pelos “paparazzi” foram gravadas com celulares ou cameras digitais com pouca qualidade, tive que fazer uns ajustes. Outra modificação foi que eu usei a técnica de noite americana, ou seja, imagens gravadas durante o dia recebem tratamento digital para parecerem que foram feitas à noite. Curtam aí e postem seus comentários.

Eu vi: Thor

Ontem estava assistindo ao documentário Secret Origin: The Story of DC Comics e nele o mestre Neal Adams diz: junte o melhor roteirista do mundo e o melhor desenhista do mundo e eles produzirão uma obra de arte. Esta obra se chama comic book (gibi, ou como eu prefiro HQ). Pois é e como disse Neil Gaiman, HQ não é um genero e sim um meio. E estamos vendo cada vez mais estas histórias criadas nas páginas das revistas chegarem a um novo meio, o cinema. Claro isso não é novidade, desde Superman de 79, passando por Batman de Tim Burton, depois Homem -Aranha, X-Men, Homem de Ferro, Watchmen, até chegar ao que eu considero a melhor adaptação os filmes do Batman do Nolan. Mas o assunto aqui é Marvel e o filme Thor. Antes de falar do filme, uma observação. Assisti em 3D, e apesar do meu preconceito infundado, descobri que a experiência é muito legal. Neste filme especifico até podia ser sem 3D, mas ele não chega a ter destaque, nem para o bem nem para o mal. É mais efeito visual legal. Ponto.

Sobre o filme. O diretor Kenneth Branagh é famoso por suas adaptações cinematográficas dos textos de Shakespeare e talvez por isso tenha sido chamado para filmar um filme baseado em mitológia nórdica (mesmo que adulterada pela Marvel). estão presentes no filme o inglês arcaico, os gestos e o comportamento da realeza e mais. Neste filme vemos um certo drama de pai e filho e filho que não é filho de verdade, e responsabilidade e reino, etc…tão presente nos textos shakespeareanos. Claro que não espere a profundidade de Hamlet, mas para um filme de ação e aventura a história foi bem desenvolvida e não há furos no roteiro, nem situações mal explicadas. A ação pode parecer pouca, mas como é um filme de origem, não poderia ser só ação. Destaque para a luta de Thor e seus companheiros contra os Gigantes de Gelo.

mas os pontos que eu mais destaco são:

1- a direção de arte e os efeitos especiais. Asgard, as armaduras, os cenários, é tudo de encher os olhos e mesmo que seja pura ficção, convence. É como se aquilo tudo existisse mesmo. A ponte Bifrost é muito legal, e foi muito bem resolvida a questão da ponte ser feita com as cores do arco-íris, só vendo para entender. A parte cósmica e os poderes dos deuses ficaram legais, mas sem chamar mais atenção do que a história. Os efeitos estão ali para ajudar a contar e contextualizar o grande poder que esses personagens possuem. Outro destaque a aparição de Odin com seu cavalo de oito patas Sleipnir.

2-as referências nerds, aquelas que todo apreciador de HQ, principalmente da Marvel, podem  reconhecer e se regojizar. A aparição de um novo personagem e o final pós-créditos (vale a pena ficar até o final).

3-a atuação de Chris Hemsworth como Thor. Eu já tinha visto um filme com o cara e achei ele bem meia-boca. Mas neste ele soube fazer bem o papel de príncipe arrogante que perde os poderes e aprende a humildade. Anthony Hopkins como Odin. Como eu li em algum lugar, parece que o velho sempre foi o “Pai de Todos”, muito boa a atuação dele. Natalie Portman fazendo como sempre um bom papel, mesmo que seu personagem não exigisse muita dramaticidade. Mas talvez o melhor seja TomHiddleston como Loki. Em alguns momentos sentimos a até pena dele, mas no fim ele se revela como o grande deus da mentira e da trapaça. Muito bom ator.

No fim só posso dizer, que eu como nerd que espera desde a infância ver esses personagens animados e com grandes efeitos visuais, me senti emocionado ao ver esse filme. Thor volta em Os Vingadores, aguardai-vos, ó estimados amigos.

Alan Moore’s From Hell

Londres, 1888. Nesta década muitos fatos marcaram a história: em 1880 Thomas Edison produz a lâmpada elétrica; 1884 H.C. Maxim inventa a turbina a vapor; 1885 Karl Benz cria o carro a motor; 1887 Heinrich Hertz gera as primeiras ondas de rádio; na política em 1884 a França toma a Indochina, o que ecoaria na Guerra do Vietnã anos mais tarde; o anti-semitismo começa a se proliferar pela Europa após a publicação Le France Juive. Como o próprio Moore cita no apêndice de Do Inferno “a década de 1880 contém as sementes do século XX, não só em termos de política e tecnologia, mas também nos campos da arte e da filosofia.” E de certa forma os assassinatos de Whitechapel encerram o espírito vitoriano do século XIX.

Foi na capital da Inglaterra, especificamente em Whitechapel que uma serie de crimes chocou a sociedade inglesa, apesar de que nenhum dos envolvidos sequer poderia imaginar que seus atos (ou a ausência deles) ecoaria no imaginário mundial mais de 120 anos depois.  Conhecido hoje como os crimes de Jack, o Estripador (Jack, The Ripper no original em inglês), na época chamado de os “Assassinatos de Whitechapel” é muito mais do que uma chacina de prostitutas pobres do submundo londrino. Estes fatos até hoje estão encobertos por mentiras, incertezas e especulações, porém o escritor inglês Alan Moore e o desenhista escocês Eddie Campbell tentam nesta obra, senão sanar as dúvidas sobre o assunto, pelo menos trazer uma nova luz repleta de significados aos chocantes crimes.

É preciso contextualizar o leitor sobre que obra me refiro. From Hell ( Do Inferno publicado no Brasil pela Via Lettera em 2000) mistura ficção e história para narrar estes fascinantes, porém horrendos, acontecimentos. A graphic novel consta em uma lista feita por um site respeitável relacionado a quadrinhos e literatura(cujo nome agora não recordo), como uma das 5 obras mais relevantes de todos os tempos. Nas cinco primeiras posições constam ainda Watchmen (do mesmo Alan Moore), O Cavaleiro das Trevas e Y: the last man. Como li todas, exceto Y posso afirmar que a posição é merecida. Porém eu iria mais longe e colocaria a graphic novel em primeiro lugar. Meus motivos:

1º O escritor Alan Moore pesquisou centenas de fontes históricas para recriar inclusive diálogos com gírias usadas na época pelas prostitutas. A recriação dos personagens passou por uma minuciosa pesquisa de biografias e relatos que pudessem esclarecer como eram , como agiam, quais eram suas motivações, seus aspectos psicológicos e muito mais dos protagonistas da história. Só por isso já vale uma menção.  From Hell é praticamente uma tese de doutorado sobre os hediondos assassinatos.

2º Com o mesmo rigor acadêmico o ilustrador Eddie Campbell pesquisou, segundo Moore, uma quantidade ainda maior de referencias do que ele próprio. O objetivo era recriar com perfeição o cenário arquitetônico da época, afinal a arquitetura tem papel importante na história como veremos adiante. Quem mais que você conhece que estudou fotos e plantas originais para poder desenhar com riqueza de detalhes o interior de um manicômio inglês do século XIX?

3º From Hell não tem cores, usa com maestria apenas o claro e escuro (p&b). Não tem nenhum super herói (e nem sequer heróis?) e nem batalhas épicas. A narrativa se baseia nos diálogos, porém quando necessário os desenhos acrescentam muito à narrativa. Aqui alguns rabiscos com cara de charge conferem uma incrível sensação realista e expressam emoções e sentimentos com perfeição, quando as palavras não são suficientes. Nota 10 para a narrativa.

4º Especular sobre o envolvimento da família real nos assassinatos, a existência de um filho bastardo do príncipe e a participação da Maçonaria em toda a complexa rede de eventos que culminou na morte de 5 prostitutas, aparentemente insignificantes, é bem corajoso. Por ser inglês e tratar desse assunto com coragem merece outra menção honrosa. Ok, muito das especulações de Moore tem base em livros como Jack the Ripper: The Final Solution de Stephen Knight, mas tudo que este autor e outros apenas insinuaram, Alan Moore afirmou, mesmo que no mundo ficcional das HQs.

Poderia listar mais detalhes que para mim fazem de From Hell uma obra admirável, não só dos quadrinhos como da literatura em geral. Mas quero seguir minha resenha contando um pouco sobre seu conteúdo.

Continua…

O Planeta Atlântida que a RBS não mostra

Para quem não é do RS vou contextualizar. O Planeta Atlântida é um festival que ocorre no verão no litoral gaúcho. Esse ano reuniu em torno de 90 mil pessoas em dois dias. As atrações reunem artistas e bandas tão díspares como Ivete Sangalo, Restart, Luan Santa e Charlie Brown Jr.(?!?!?!?!), isso tudo no palco principal, onde a maioria do público se concentra. Mas eu trabalhei exclusivamente perto do palco do Pretinho Convida, onde tocaram bandas gaúchas novas e consagradas.  Vamos agora a uma pequena resenha de cada uma que passou por lá nos dois dias.

– Tópaz: Uma banda de adolescentes que toca para um público infantil. Banda fraca e que sumirá até o próximo verão. Só tinha criança na frente do palco.

-Santo Graau: Nome safado hein? A banda é competente, mas inexperiente. Por não serem tão conhecidos a galera evacuou. Fiquei com vergonha alheia do vocalista que falou que era de Santa Catarina e depois soltou um “foda-se catarinas”.

-Tequila Baby: As letras sexistas de sempre no seu punk rock a la Ramones. Não evoluiram nada desde o primeiro disco. Reuniu uma horda de gordinhas de camiseta preta. Pelo menos os fãs são fiéis.

-Bide ou Balde: Essa banda ainda existe? Um show que teve mais piadinhas e interrupções do que música. Dispensável.

-Comunidade Nin Jitsu: Mais uma banda com letras sexistas em forma de funk de quinta, com bases chupadas de clássicos do rock. Ver Sunshine Of Your Love do Cream ser assassinada é uma heresia. Lamentável.

No segundo dia tivemos

-Paulinho Neves: Fora a mãe , avó e o irmão dele que estavam na frente do palco o resto da galera vazou. Fiquei até com pena, mas como o cara é ruim e sem carisma, mereceu a recepção fria.

-Vera Loca: Essa banda é competente, mesmo não sendo do meu estilo. O vocalista é um dos melhores do rock gaúcho, mas a banda peca pelos mesmos erros dos sues conterrâneos. Muita auto-referência.

-Claus e Vanessa: A Vanessa é uma gatinha e muito simpática, desceu do palco e cantou abraçada na galera. Mas isso é agora, quero ver quando estiverem famosos. Repertório muito romântico e chato.

-Doyoulike: Um subproduto da Fresno que já é subproduto de outras coisas ruins. Outra banda adoslescente sem conteúdo nenhum. Não vão longe.

-Cachorro Grande: Porque as bandas gaúchas gostam tanto de ficar penduradas no saco dos Beatles e dos Stones? Cara, inovem um pouco. Isso tudo já foi feito nos anos 60.

-Acústicos e Valvulados: O mesmo comentário acima vale para essa banda. E tocar duas vezes a mesma música para tentar transformar em hit a força foi deprimente. Fora tocar “Sob um Céu de Blues”…

Se você conseguiu chegar até aqui sem se ofender por seu artista preferido ter sido devidamente detonado, pode ler o resto que é mais divertido.

O lance é que essas bandas todas se copiam, fazem performaces iguais, chamam os mesmos gritos de guerra, repetem os refrões muito mais vezes que na música original, entre outros vícios. Acho tudo isso uma falta de originalidade e uma covardia. Eles parecem que querem agradar sempre ao invés de serem autênticos. Mas tudo bem esseas são as opiniões de um velho de 60 anos num corpo de 30. Cheguei a esta conclusão quando uma a linda ninfetinha de olhos verdes me chamou para pedir informação e disse: “-Tio, que horas toca a Vera Loca?” O que dizer depois disso?

Esses eventos são para jovens mesmo. Passar o dia e a noite interia pegando chuva , pisando na lama, tomando latinha de ceva a R$ 5,00, comendo bauru a R$ 10,00, ouvindo bandas nada a ver umas com as outras e ainda pagar uma fortuna para entrar…realmente não é para mim. Prefiro ir no Zaffari comprar uma pizza, meia dúzia de ceva e ver um filminho bem baixado. De preferência com uma boa companhia feminina ao lado.

Mas quem procura alguem para dar uns beijos, o planeta é bem propício. Várias gatinhas presentes no eventos, mas infelizmente a maioria(que eu vi) eram menor de idade. Se eu fosse adolescente…

Enfim, esse evento está no imaginário das pessoas como uma grande festa, o encontro de todos os estilos e bla, bla, bla todos os adjetivos que a RBS usa para qualificar o evento, mas na real aquilo é uma baita  roubada. Foi meu primeiro Planeta e com certeza o último, a não ser que me paguem mais para trabalhar lá.

Remakes e homenagens ou falta de criatividade

Saudosismo, nostalgia, reverência ou falta de idéias melhores? Não sei o motivo, mas a onda de refilmagens que assola o cinema hollywoodiano ultimamente nunca foi vista antes. Senão vejamos: Os Caça-Fantasmas, Máquina Mortífera, Os Doze Condenados, A Hora do Espanto, A História Sem Fim. Fora os que já foram feitos como Fúria de Titãs, A Pantera Cor-de-Rosa, A Hora do Pesadelo, Tron, O Destino de Poseidon(tá ,esse já faz tempo). E os que receberam seqüencias quando se achava que os atores principais já estavam velhos demais: Indiana Jones, Rambo, Duro de Matar. Sem falar em versões cinematográficas das series de TV que nos faziam companhia à tarde: Esquadrão Classe A, Agente 86, Elo Perdido…

A lista é grande e meu objetivo não é nomear todos, mas já deu para ter uma idéia de como usar os mesmos personagens e as mesmas historias é lugar comum no cinema pop norte-americano. Mas o que eu quero comentar são os efeitos e as impressões que esta “jogada” de Hollywood me causa.

Primeiro: A maioria desses filmes é do fim dos anos 70 até o fim dos 80. Quem era criança ou adolescente nesta época(como eu), hoje está na casa dos 30 ou 40 anos de idade. Aqueles jovens que ficaram impressionados com as viagens de Marty Mcfly, as aventuras de Indy ou as matanças de John Rambo, hoje cultuam estes filmes. Estes jovens inocentes viam Fúria de Titãs e achavam o máximo ( recentemente revi o original e como filme nem é grande coisa, mas os efeitos especiais impressionam pela época que foram feitos). Nos dias atuais esse público é o maior consumidor de sabonete, pão, carros e…filmes. Sim, essa faixa etária corresponde a maior parte da população economicamente ativa no mundo. Então nada mais justo que uma indústria cinematográfica, mais preocupada com a lucratividade, foque seus esforços em fazer produtos para a maioria. Sim galera, somos a maioria( pelo menos nesse aspecto) e sim, gostamos de filmes que vimos quando nossa vida era mais fácil e talvez por isso ver Harrison Ford de chapéu de novo seja tão familiar e reconfortante.

Segundo: Os jovens de hoje se importam com estes clássicos? Bem, esse dias li no jornal que quando o ator Paul Newman morreu perguntaram para alguns jovens o que eles achavam e eles responderam: -“que Paul Newman, o das saladas?”( o ator tinha uma marca de saldas para reforçar a aposentadoria). Outro exemplo, conversando com um colega de trabalho que tem 19 anos não sabia que Fúria de Titãs(2010) era uma refilmagem!?!?!?!

Ou seja, os jovens não vão ver esses filmes pois tem a referência dos antigos e sim porque os efeitos visuais e as campanhas de divulgação são atrativas. Assim como o público de 30/40 vai porque querem ver seus velhos heróis com um acabamento visual mais apurado. No fim tudo se resume à imagem, os efeitos especiais e visuais são usados como “muleta” para roteiros ruins. E esses artifícios acabam conquistando todas as gerações? Parece que sim, vivemos uma era da imagem, da informação rápida e no fim o que não fica é o que mais nos agrada. Não queremos reter muita informação por muito tempo, o ideal é ver um filme e assim que saimos do cinema, já esquecemos metade, até chegar em casa esquecemos tudo(aconteceu comigo quando fui ver Wolverine Origens no cinema). Mas porque isso? Bem são muitos lançamentos, nossa atenção não pode ficar muito tempo em uma coisa só. Temos que abrir espaço na mente para novos desejos de consumo. E assim como os adolescentes e crianças já estão doutrinados nesse sentido, só falta os trintões que são a maioria da massa consumidora. Pensem nisso enquanto aguardamos o próximo remake.

Homem de ferro 2: além do filme

Esse post feito as pressas não é bem uma resenha sobre o filme. É algo mais. É sobre tudo que cerca o filme(ou os filmes em geral). Explico. O personagem Homem de Ferro é o alter ego do industrial, inventor e cientista Anthony Stark. Isso claro no mundo ficcional dos quadrinhos. Pois bem, esse personagem ficou mais conhecido do grande público graças ao primeiro filme do Homem de ferro, que contou a origem do personagem e  o apresentou para os menos aficcionados por HQ. Então pode se dizer que ele não é mais um desconhecido. Creio que quando se fala em Homem Aranha, Batman ou Superman, pessoas dos mais longínquos rincões saberão de quem se trata. Já com o Hemem de Ferro creio que está começando a acontecer o mesmo. Mas tudo isso foi para contextualizar o tema principal. O trabalho da publicidade aliada ao lançamento de um grande filme. Por exemplo em Homem de Ferro 2: o personagem Tony Stark idealizou uma feira de tecnologia a Star Expo 2010, com direito a site e tudo. Além disso pode se ver no youtube propagandas dos produtos lançados na feira. Tudo fictício é claro, assim como o filme. Mas esse grau de interação entre o filme e a publicidade me chamam a atenção. Foi uma sacada genial. Ajuda a trazer mais verossimilhança a algo que logicamente sabemos se tratar de ficção. Mas com toda essa estratégia de comunicação fica mais crível um homem vestido de armadura cibernética enfrentando supervilões. Acho sensacional quando se extrapola uma mídia específica para ajudar a apresentar algo. Primeiro o personagem salta dos quadrinhos para desenhos animados, depois para filmes, e do filme geram subprodutos.  Isso dá uma nova vida a algo que já é bem corriqueiro: lançamento de novos filmes. Claro que em se tratando de hollywood fica mais fácil realizar todo essa campanha. Mas mesmo em filmes brazucas como Tropa de Elite 2 esse recurso de link com outras mídias também é utilizado.

Acho que o futuro da comunicação(acho que já é presente, se chama viral) e principalmente do entretenimento, passa por uma plataforma multipla de mídias que possam ampliar o conteúdo e quem sabe também dialogar mais diretamente com o produto principal. No caso dos filmes isso ainda requer tempo e disponibilidade dos meios estarem acessíveis para todos. Não teria como associar uma frase de um filme com um vídeo previamente postado no youtube, pois muitos poderiam não ter visto o vídeo e não entender no contexto do filme. Mas de forma bem sutil esse recurso já pode ser usado e está sendo bem utilizado. Acho inovador, divertido e aponta novos rumos que logo se tornarão tendências.

Para saber mais procure vídeos relacionados a Homem de Ferro 2, provavelmente vocês acharão uma propaganda de uns óculos hightech que qualquer um gostaria de ter. Tá vou ser bonzinho e postar o vídeo aqui.

Legal né, faz a gente querer que existisse uma Stark Enterprises na nossa sociedade ou não?

Atualização

Vi hoje em outro blog um viral muito bem elaborado do novo filme de J.J.Abrams. Para quem não sabe Abrams criou Lost e Fringe, que são séries recheadas de mistérios e dicas para os fãs se fartarem nas especulações e deduções. Vale a pena conferir. Como sou fã do Abrams e dos virais já fui fiscado. Confiram aqui.

Comentários são sempre bem vindos. Até o próximo.

Avatar II

Não podia deixar passar a oportunidade de mostrar a vocês esse vídeo. Um tal de Hungry Beast postou no Youtube uma versão de Avatar muito peculiar. Não sei quem fez, mas caprichou. Ele aproveitou o hype que Avatar gerou e fez esse vídeo que até agora teve 336900 exibições e foi postado em 4 de março. Dá mais de 16 mil visualizações por dia! Gerou um belo buzz, afinal fiquei sabendo do vídeo graças a minha namorada que mandou o link e ela provavelmente recebeu o link de alguém. Se esse Hungry Beast trabalha na área audiovisual com certeza promoveu muito bem seu trabalho.

O vídeo mostra Pandora 10 anos depois do final do primeiro filme. No começo parece tudo normal, mas quando o Darth Vader aparece em cena, aí se ve que é galinhagem. Eu reconheci pelo menos 10 referências à outros filmes. Muito bem editado e até os Navi são relativamente convincentes. Não sei se isso não foi alguma jogada de “marketing”(termo que se usa muito, mas não é correto, mas outra hora falamos disso) para autopromoçâo. Seja como for esse vídeo é a própria pós-modernidade em ação. Referências dentro de referências, uma colagem de ícones facilmente reconhecivéis. Ele usa uma linguagem de trailer para unir ao redor de uma idéia(a da parte dois de Avatar) vários outros momentos clássicos do cinema de entretenimento, assim criando um resultado facilmente identificável e ao mesmo tempo inovador. Isto é muito do conceito de pós-moderno. Ali nada se criou, mas se reciclou, se reaproveitou, mas de uma forma que o conteúdo de onde as referências foram tiradas entraram em outro contexto e formaram um novo elemento: a versão cômica de Avatar que podemos ver aqui embaixo.

Talvez esse meu post tenho ficado meio profundo de mais no fim, quando na verdade era para ser cômico. Isso que dá estudar semiótica pós-estruturalista francesa contemporânea(uia).  Mas o objetivo era demonstrar que este vídeo diz muito do que vivemos hoje. Heitor Carlos Panzenhagen Júnior explora bem isto neste artigo, onde em certo momento afirma que o moderno e o pós-moderno exploram o capital cultural de outrora. O pós-moderno se apropria de uma bagagem cultural que já está presente no imaginário e por isso é uma referência de fácil assimilação. É o caso de usar personagens de outros filmes para contar uma nova história.

Fredric Jameson cita que o uso da cor no cinema, em oposição ao antigo formato em preto e branco, é um sinal do fim do realismo e do moderno. Quem dirá então um filme como Avatar que foi quase todo feito em CGI(imagem gerada por computados na sigla em inglês)? E o autor norte-americano ainda diz que o ver(cinema, ou qualquer outra coisa) e ver em excesso é típico do ser contemporâneo e que no cinema “o espectador simplesmente explora e canibaliza a obra de arte criada exatamente para esse propósito com uma apropriação aleatória”. Não foi isso que vimos nesse vídeo? Um cara que viu filmes demais e usou tuda essa bagagem cultural para criar uma narrativa onde o simples fato de reconhecermos algumas partes, ajuda a criar uma nova história.

História em quadrinhos de alto nível

Não poderia deixar de falar neste blog de um assunto que eu adoro. Histórias em quadrinhos. Desde antes de saber ler(na verdade começei a aprender lendo-as) já aficcionado por elas. No começo mais pelos desenhos e depois pelos roteiros. Não era muito fã de Turma da Mônica ou Disney, eu curtia mesmo era a Marvel e a família DC (Batman, Superman, Flash, etc…)

Considero que o nível da arte dessas HQs me fascinou mais que os simples traços do Mauricio de Sousa. Todo o respeito por esse Walt Disney tupiniquim, mas não era meu estilo mesmo.

Mas eu quero falar de Planetary, criada pelo escritor Warren Ellis e o desenhista John Cassaday e publicada pelo selo Wildstorm da DC Comics. Considerada por muitos como uma das séries mais inteligentes e inovadoras dos últimos tempos, PLANETARY é um poço de referências que reúne praticamente todas as idéias do universo ficcional da literatura, do cinema e dos próprios quadrinhos. Realmente são inúmeras referencias que não é qualquer um que pesca de primeira, mas uma coisa legal é justamente isso. Identificar as referências.

Fora isso os diálogos e o enredo da história são muito bem construídos pelo escritor inglês Warren Ellis. E os deslumbrantes e super detalhados desenhos de John Cassaday são um caso à parte.

Descobri a HQ só em 2009, apesar de ser publicada desde 1999. Já li toda a série de 27 edições e é entretenimento garantido, além de um colírio para os olhos. Recomendado.